Entrevista com Cibele Tossi

No dia 10 de Novembro de 2021 realizamos uma entrevista com a Cibele Tosi, monitora da Associação pela Saúde Emocional das Crianças (ASEC) para programas e cursos de saúde e educação emocional. A reunião teve como pauta o Amigos do Zippy, programa que é representado pela ASEC, a partir das perguntas realizadas para a entrevistada podemos conhecer e admirar ainda mais o programa.

Primordialmente, em nossa conversa, ficou nítido o cuidado que o programa possui com as crianças e com as capacitações oferecidas para os professores, visto que,  a partir delas, os educadores incentivam as crianças a lidarem com as dificuldades do cotidiano e as estimulam a identificar e a falar sobre seus sentimentos, além de explorar várias maneiras de lidar com eles.
 
Mas, para além da criança e do educador, o programa conta com outras pessoas que eles consideram extremamente importantes, a comunidade escolar. A seguir há um trecho que a Cibele relata sobre essa necessidade e valorização da comunidade para o desenvolvimento do Amigos do Zippy: “ […] Quando implementamos o programa na escola nós não falamos somente com o professor, a gente sempre tem uma visão para a comunidade escolar (professor, coordenador pedagógico, faxineira, porteiro, merendeira, família, quem está em torno), nós estamos sempre proporcionando ou sugerindo que os próprios agentes escolares desenvolvam alguma ação que ampliem o olhar para o aluno e para o cuidado emocional de todos ao redor […]” e após isso, ela ainda menciona sobre o curto tempo que há na sala de aula e por isso, novamente, a importância da comunidade escolar  “[…] criança não é só ali dentro da sala, ela também está no pátio, na entrada, saída, brincando no fim de semana. Quando a comunidade consegue se desenvolver e cuidar disso, a criança não está sendo estimulada só naquele 50 minutos da semana, só nas 24 aulas […]”. 

Ademais, em nosso encontro Cibele nos explicou que não há diferença no programa entre escolas públicas e privadas, sendo isso essencial para que todos tenham a oportunidade de se desenvolver com o Amigos do Zippy. Infelizmente, no início do período pandêmico as escolas públicas possuíram mais dificuldades na implementação, entretanto não foi um problema para que elas deixassem de participar. Apesar desses contratempos, a monitora comenta que foi um momento dos educadores mostrarem suas criatividades e inovarem no modo de ensino, foi extraordinário para o programa ver as inúmeras alternativas dentro das condições e recursos que eles tinham. 

Diante de muitas coisas boas, o programa ainda possui um cuidado com a preparação dos materiais de modo que todos se sintam envolvidos e acolhidos, Cibele nos relatou que em um outro programa, Amigos do Maçã, tinha um jogo que se chamava “ futebol de meninos” e o título foi modificado no mundo inteiro visto a diversidade que deve ocorrer em todos os esportes e a necessidade de minimizar a desigualdade nesse âmbito. Mesmo que eles tenham esse cuidado essencial com o conteúdo, vale ressaltar que o foco do programa não é o conteúdo abordado, mas sim o sentimento que a criança tem sobre tal tema. 

Por fim, além do grupo considerar o Amigos do Zippy uma prática inspiradora, Cibele também relatou seu depoimento, vejam a seguir: “[..] O programa tem uma proposta de atingir a comunidade escolar, de repercutir na vida dos alunos ao longo do tempo, de desenvolver habilidades que não são colocadas em práticas somente para um determinado ponto, aliás são habilidades que ao longo da vida da pessoa ela vai usando para muita coisa e portanto, sai da comunidade escolar e vai para muito além da família. […] É essa rede de apoio que faz a diferença na vida das pessoas, não é quantas horas de capacitação que ela fez, não é o diploma que ela tem, não é a faculdade, é essa condição de encontrar recursos próprios para se ajudar e ajudar o outro, então assim, às vezes, em um relato de impacto as pessoas podem até achar que é somente isso, mas é o que faz a diferença na relação das pessoas, é encontrar uma pessoa que está na busca de melhorar sua empatia, resiliência, e principalmente, é a pessoa que está sem aquelas máscaras, colocando todas as suas condições vulneráveis para receber ajuda, não existe melhor coisa que isso, não existe melhor programa que isso.”

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“Amigos do Zippy” e relações teóricas com a disciplina de Didática II